Uma mente passiva.
Em termos gerais, a mente vazia difere bastante da
passiva. A diferença é que, enquanto a mente vazia é aquela que não é usada, a
passiva fica à espera de alguma força exterior para ativá-la. Encontra-se um
passo além da mente vazia. Ser passivo é se abster de mover-se por si mesmo e
deixar que elementos exteriores o façam. Um cérebro passivo não pensa por si
mesmo, mas permite que uma força estranha pense por ele. A passividade reduz o
homem a uma máquina.
A mente que se encontra em um estado
passivo é muito vantajosa para os espíritos malignos, porque lhes oferece a
oportunidade de ocupar também a vontade e o corpo do crente. Assim como a mente
obscurecida é facilmente enganada por não saber o que está fazendo e para onde
está indo, assim também a passiva acha-se vulnerável ao ataque, visto não ter nenhuma
sensibilidade. Se alguém permitir que sua cabeça cesse de pensar, pesquisar,
decidir e de examinar sua experiência e ação à luz da Bíblia, está praticamente
convidando Satanás a invadir sua mente e enganá-lo.
Muitos dos
filhos de Deus, em seu desejo de seguir a direção do Espírito Santo, acham que
não precisam avaliar, investigar e julgar à luz da Palavra todos os pensamentos
que aparentemente vêm do Senhor. Pensam que ser guiado pelo Espírito é estar
morto para si mesmo e obedecer toda noção e impulso do cérebro. Seguem
principalmente as idéias que surgem depois de um período de oração. Por isso,
procuram deixar a mente passiva durante e depois da oração. Interrompem o fluxo
dos próprios pensamentos e outras atividades mentais a fim de se prepararem
para receber os "pensamentos de Deus". O resultado é que se tornam
duros e inflexíveis, sem raciocínio, e adotam práticas severas, obstinadas e
irracionais. Eles ignoram vários fatos. Primeiro, a oração não transforma
nossos pensamentos comuns em espirituais. Segundo, ficar esperando pensamentos
divinos durante e após a oração é abrir a mente às operações dos espíritos
malignos que tentam imitar as de Deus. Terceiro, a direção do Senhor ocorre na
intuição, que é do espírito, e não na mente, que é da alma. Não são poucos os
crentes que procuram treinar a si mesmos para alcançarem uma mente passiva.
Estão ignorando a vontade de Deus que não deseja que o homem seja passivo, mas
que coopere ativamente com ele. Eles induzem a si mesmos a não pensar, a fim de
receberem os pensamentos divinos. Não entendem que, se eles mesmos não estão
usando o cérebro, o Senhor também não o usará nem introduzirá nele seus pensamentos.
O princípio de Deus é que os homens, pela própria vontade, controlem todo o seu
ser, e trabalhe junto com ele. Somente o diabo se aproveita da mente passiva,
impedindo que o homem a controle. Deus não deseja que os homens recebam sua
revelação como autômatos; os espíritos inimigos é que almejam isso. Toda
passividade é proveitosa para esses, pois prazerosamente tiram vantagem da
insensatez e da inércia do povo de Deus, para operar em sua mente.
Livro: O homem espiritual - Watchan Nee

Nenhum comentário:
Postar um comentário