sábado, 25 de maio de 2013

Uma mente passiva


Uma mente passiva. 
Em termos gerais, a mente vazia difere bastante da passiva. A diferença é que, enquanto a mente vazia é aquela que não é usada, a passiva fica à espera de alguma força exterior para ativá-la. Encontra-se um passo além da mente vazia. Ser passivo é se abster de mover-se por si mesmo e deixar que elementos exteriores o façam. Um cérebro passivo não pensa por si mesmo, mas permite que uma força estranha pense por ele. A passividade reduz o homem a uma máquina.
A mente que se encontra em um estado passivo é muito vantajosa para os espíritos malignos, porque lhes oferece a oportunidade de ocupar também a vontade e o corpo do crente. Assim como a mente obscurecida é facilmente enganada por não saber o que está fazendo e para onde está indo, assim também a passiva acha-se vulnerável ao ataque, visto não ter nenhuma sensibilidade. Se alguém permitir que sua cabeça cesse de pensar, pesquisar, decidir e de examinar sua experiência e ação à luz da Bíblia, está praticamente convidando Satanás a invadir sua mente e enganá-lo.
Muitos dos filhos de Deus, em seu desejo de seguir a direção do Espírito Santo, acham que não precisam avaliar, investigar e julgar à luz da Palavra todos os pensamentos que aparentemente vêm do Senhor. Pensam que ser guiado pelo Espírito é estar morto para si mesmo e obedecer toda noção e impulso do cérebro. Seguem principalmente as idéias que surgem depois de um período de oração. Por isso, procuram deixar a mente passiva durante e depois da oração. Interrompem o fluxo dos próprios pensamentos e outras atividades mentais a fim de se prepararem para receber os "pensamentos de Deus". O resultado é que se tornam duros e inflexíveis, sem raciocínio, e adotam práticas severas, obstinadas e irracionais. Eles ignoram vários fatos. Primeiro, a oração não transforma nossos pensamentos comuns em espirituais. Segundo, ficar esperando pensamentos divinos durante e após a oração é abrir a mente às operações dos espíritos malignos que tentam imitar as de Deus. Terceiro, a direção do Senhor ocorre na intuição, que é do espírito, e não na mente, que é da alma. Não são poucos os crentes que procuram treinar a si mesmos para alcançarem uma mente passiva. Estão ignorando a vontade de Deus que não deseja que o homem seja passivo, mas que coopere ativamente com ele. Eles induzem a si mesmos a não pensar, a fim de receberem os pensamentos divinos. Não entendem que, se eles mesmos não estão usando o cérebro, o Senhor também não o usará nem introduzirá nele seus pensamentos. O princípio de Deus é que os homens, pela própria vontade, controlem todo o seu ser, e trabalhe junto com ele. Somente o diabo se aproveita da mente passiva, impedindo que o homem a controle. Deus não deseja que os homens recebam sua revelação como autômatos; os espíritos inimigos é que almejam isso. Toda passividade é proveitosa para esses, pois prazerosamente tiram vantagem da insensatez e da inércia do povo de Deus, para operar em sua mente.
Livro: O homem espiritual - Watchan Nee

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